domingo, 18 de março de 2007

A falsa educação sexual



A informação sobre o preservativo é uma resposta simplista ao que a juventude requer.


Há poucos dias, chegou às minhas mãos um documento da Pastoral Social da Conferência Episcopal da Nicarágua, assinado por Dom Bernardo Hombach, sob o título: “Lucro exagerado com medicamentos contra AIDS é imoral”. Ultimamente, no Brasil, tem sido largamente anunciado o uso do preservativo. O pretexto é evitar o contágio da AIDS e o engravidamento de alunas nas escolas públicas. Essa iniciativa tem o apoio de autoridades civis, e, inclusive, de progenitores. Ao contrário, a educação sexual, se autêntica, tem por objetivo levar a juventude, desde o desabrochar do instinto sexual, ao reto cumprimento de sua missão procriadora. Cabe aos pais, e depois aos educadores, transmitir as normas bastante precisas e evitar que a educação sexual se transforme em propaganda do sexo; deve, ao contrário, formar para o autocontrole dentro das normas de moral e de bom senso.Sei do clima erótico que impera em toda a parte, inclusive em novelas e outros programas de TV. É exatamente pela decadência dos costumes que se faz mister dizer a verdade, não fechar os olhos e não promover exatamente o que deveria ser evitado. Assim, nas escolas públicas é oferecido o preservativo para que não haja gravidez e sejam evitadas doenças sexualmente transmissíveis. O resultado é o que, infelizmente, vemos o desvio de comportamento na juventude e o fracasso de casamentos. E os filhos são as primeiras vítimas da dissolução dos lares.O documento a que fiz referência no início, com data de 24 de janeiro último, afirma que “a pandemia do HIV é uma das crises mais graves da saúde, da vida social, econômica, de segurança e de desenvolvimento humano que o planeta enfrenta. Mata milhões de adultos em sua maior plenitude”. A preservação dessa epidemia não está na promoção do sexo. O mesmo se diga do engravidamento precoce. Também afirma o documento: “É importante enfatizar o valor da fidelidade no matrimônio e do compromisso conjugal como fatores fundamentais na contenção da pandemia da AIDS”. Recorda a importância da educação nos valores “para proteger a nossa juventude” e afirma que, “como Igreja, temos de anunciar, contra uma forte pressão da opinião pública, que a verdadeira felicidade não consiste na libertinagem e no hedonismo, mas em uma vida levada segundo a vontade de Deus, segundo a qual a abstinência e o sacrifício são sinais de liberdade interior que conduzem à verdadeira felicidade. Ser livre exige libertar-nos de toda escravidão que nos limita”. Segundo Dom Hombach, “a informação sobre o preservativo é uma resposta simplista ao que a juventude requer. Não converte a imaturidade em maturidade. A formação, – não somente a informação –, é do que se precisa. Mais que falar sobre o preservativo, será muito mais efetivo preparar e equipar os pais e educadores com os apropriados conhecimentos para educar seus filhos e alunos no valor da sexualidade, relação humana profunda, diálogo de pessoas e não só de corpos, ainda que também se expresse na corporeidade. Banalizou-se a exigência do amor e da ternura, reduzindo-o à pura genitalidade, ao meramente biológico”.Sobre essa matéria, trago trechos do artigo do Cardeal Alfonso Lopez Trujillo sob o título: “Valores da Família e o assim chamado ‘Sexo Seguro’”, com data de dezembro de 2003. Quatro agências governamentais dos Estados Unidos, responsáveis pela pesquisa sobre preservativos, patrocinaram, juntas, um “Workshop” para “avaliar a evidência divulgada, afirmando a eficiência dos preservativos de látex para a prevenção HIV/AIDS e outras DSTs” (Doenças Sexualmente Transmissíveis). O resultado foi publicado no dia 20 de julho de 2001. “O Workshop Summary” revelou que o preservativo reduz o perigo de contaminação de AIDS/HIV em 85%. Isto significa que há um risco de 15%. Este dado não deve permanecer desconhecido, pois muitos usuários, inclusive jovens, pensam que o preservativo garante segurança total.De fato, há estudos que demonstram o aumento de casos HIV/AIDS na medida da maior distribuição dos preservativos. O comportamento humano é fator importante na transmissão de AIDS. Sem uma adequada educação, visando o abandono de certas atitudes sexuais, corre-se o risco de perpetuar as conseqüências desastrosas da pandemia.O “Condom with AIDS in Africa” (13 de dezembro de 2002) divulgou o seguinte: “Enquanto a AIDS se difunde pela África, Uganda é um sucesso isolado. Milhões de ugandenses adotaram uma moral sexual tradicional, inclusive a abstinência sexual fora do matrimônio e de fidelidade no matrimônio, para assim evitar a infecção. Mas a Organização Mundial para a AIDS tem relutado em promover tal estratégia noutro lugar, continuando, ao contrário, a confiar no preservativo”. Existem relatórios que mostram o êxito da abstinência sexual antes do matrimônio e o da fidelidade dos esposos. No citado exemplo de Uganda, que optou por este programa, a incidência de HIV/AIDS tem sido mais controlada que em outros países.Comentando algumas dessas informações, Jokin de Irala, professor de epidemiologia na Universidade de Navarra, Espanha, afirmou: “É simplesmente irresponsável o que está sendo feito em muitos países. É um erro que, no final das contas, custará muito caro, confiar cegamente no preservativo e nada mais na luta preventiva, quando já está claro que tal método não tem sido suficiente para frear a epidemia em grupos que, a prioridade, são grandemente de risco, como os homossexuais. O povo poderia exigir das autoridades mais seriedade e mais originalidade, quando se trata de resolver esses problemas”.São do Papa Bento XVI as seguintes palavras dirigidas aos participantes da Plenária da Pontifícia Comissão para a América Latina: “Os freqüentes fenômenos de exploração e injustiça, de corrupção e violência, são uma chamada urgente a que os cristãos vivam a sua fé, com coerência, e se esforcem por receber uma sólida formação doutrinal e espiritual, contribuindo assim para a construção de uma sociedade mais justa, mais humana e cristã”.Não devemos e nem podemos ser parceiros na difusão de algo que afetará a vida de milhões de irmãos nossos e, de modo particular, da juventude, “futuro da humanidade”.
Cardeal Dom Eugenio de Araújo Sales Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de
Janeiro

Papa Bento XVI afirma...



Papa Bento XVI afirma que a eucaristia é a fonte da alegria cristã (18/03/2007)


Queridos irmãos e irmãs!

Hoje a Liturgia nos convida a alegrar-nos porque se aproxima a Páscoa, o dia da vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. Mas onde se encontra a fonte da alegria cristã senão na eucaristia, que Cristo nos deixou como Alimento espiritual, enquanto vivemos como peregrinos nesta terra?

A Eucaristia alimenta os fiéis de cada época, com a alegria profunda, que nos faz um só com o amor e com a paz, e que tem origem na comunhão com Deus e com os irmãos. Terça feira passada foi apresentada a Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, que tem como tema a Eucaristia fonte e cume da vida e da missão da Igreja.Eu a elaborei recolhendo os frutos da Décima Primeira Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos, realizada no Vaticano em outubro de 2005. Pretendo falar mais sobre este texto, mas agora desejo sublinhar que isso é expressão da fé da Igreja universal no Mistério eucarístico, e está dando continuidade ao Concilio Vaticano II e o magistério de meus venerados predecessores Paulo VI e João Paulo II.Neste Documento eu quis, também, evidenciar a sua ligação com a Encíclica Deus Caritas Est: por isso escolhi como titulo Sacramento Caritatis, retomando uma bela definição da Eucaristia de Santo Tomás de Aquino (cf. suma teológica), ''Sacramento da Caridade''.Sim, na Eucaristia, Cristo quis doar-nos o seu amor, que o impeliu a oferecer sobre a cruz a vida por nós. Na última ceia, lavando os pés dos discípulos, Jesus nos deixou o mandamento do amor: Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. (Jô 13, 43).Mas porque isso é possível somente permanecendo unidos a Ele, como os ramos da videira (cfr. Jô 15, 1-8). Ele mesmo escolheu permanecer entre nós na eucaristia para que nós pudéssemos permanecer nele.Quando, portanto, nos nutrimos com a fé do seu corpo e do seu sangue, o seu amor passa em nós e nos torna capazes de dar a vida pelos irmãos (Jô 3, 16). Daqui jorra a alegria cristã, a alegria do amor.''Mulher eucarística'' por excelência é Maria, obra prima da graça divina: O amor de Deus a tornou imaculada ''diante da Caridade'' (Ef 1,4). Ao lado de Maria, para proteger o Redentor, Deus colocou São José, que celebramos amanhã a solenidade litúrgica. Invoco particularmente este grande santo porque crendo, celebrando e vivendo com fé o Mistério Eucarístico, o Povo de Deus é tomado do amor de Cristo e através dele difunde os frutos de alegria e paz em toda a humanidade.